A transição técnica programada para o Mundial de Motovelocidade teve seus primeiros dados práticos revelados no circuito de Red Bull Ring. As novas motos de MotoGP equipadas com motores de 850 cm³, regulamentares a partir da temporada de 2027, registraram tempos de volta inferiores aos das atuais máquinas de 1.000 cm³ durante a primeira sessão de ensaios em pista. A organização do campeonato estimava inicialmente uma perda de dois a três segundos por volta com a redução volumétrica, mas o desempenho observado contrariou as projeções preliminares.

O teste foi conduzido pelo piloto espanhol Pedro Acosta a bordo do protótipo desenvolvido pela KTM logo após a realização do GP da Áustria. Acosta cravou uma marca mais veloz do que seu próprio registro obtido anteriormente com a configuração de 1.000 cm³, terminando a apenas meio segundo do tempo da pole position conquistada por Jorge Martín no fim de semana de corrida.

Protótipo da KTM MotoGP com motor de 850cc em teste de pista na Áustria
Piloto Pedro Acosta durante testes com o protótipo de 850 cc da KTM no circuito de Red Bull Ring. (Foto: Reprodução / Motonline)
Protótipo da KTM MotoGP com motor de 850cc em teste de pista na Áustria
Piloto Pedro Acosta durante testes com o protótipo de 850 cc da KTM no circuito de Red Bull Ring. (Foto: Reprodução / Motonline)

Foco nos pneus Pirelli e novos sistemas

Apesar da marca expressiva no cronômetro, a fabricante austríaca informou que o objetivo da sessão não envolvia a busca por recordes de tempo de volta. O ensaio destinou-se à validação inicial dos novos compostos da fornecedora Pirelli, que substituirá a Michelin no fornecimento oficial de pneus a partir de 2027, além de avaliações estruturais de mapeamento do propulsor, novos sistemas eletrônicos e componentes mecânicos.

Protótipo da KTM MotoGP com motor de 850cc em teste de pista na Áustria
Piloto Pedro Acosta durante testes com o protótipo de 850 cc da KTM no circuito de Red Bull Ring. (Foto: Reprodução / Motonline)

A diminuição na capacidade cúbica é a principal alteração nas diretrizes técnicas promovidas pela Federação Internacional de Motociclismo e pela Dorna. A iniciativa busca controlar a escalada de velocidade final, mitigar riscos operacionais nas pistas e simplificar o pacote tecnológico dos protótipos, devolvendo maior relevância às decisões diretas do piloto na pilotagem.

Diretrizes técnicas para a temporada 2027

Além da reformulação mecânica nos propulsores de quatro tempos, o pacote técnico para o ciclo que se inicia em 2027 inclui modificações substanciais em áreas críticas das motocicletas de competição, conforme estabelecido no site oficial da MotoGP:

  • Redução na cilindrada dos motores, passando de 1.000 cm³ para 850 cm³.
  • Restrições na carga aerodinâmica, reduzindo a complexidade de asas e apêndices.
  • Limitações nos sistemas de auxílio eletrônico e dispositivos mecânicos de rebaixamento.
  • Entrada da fabricante italiana Pirelli como fornecedora exclusiva de pneus da categoria.

Desenvolvimento e cenário competitivo

Embora os números iniciais tenham chamado a atenção dos engenheiros no paddock, a análise deve levar em conta o contexto experimental do teste. Acosta realizou as voltas em estágio embrionário do projeto, sem atingir o limite mecânico de ajustes finos. Como abordado na cobertura técnica sobre o regulamento da MotoGP para 2027 com motores de 850cc, o ganho de agilidade em curvas pode compensar a menor entrega de potência absoluta nas retas.

A KTM não é a única montadora em fase de experimentação para a nova era da categoria rainha. As demais fabricantes do grid trabalham em paralelo com soluções focadas em menor arrasto aerodinâmico e simplificação de chassis para viabilizar ultrapassagens mais frequentes nas disputas diretas por posição.

Como você avalia essa resposta imediata dos novos motores de 850 cm³ frente às expectativas de perda de velocidade feitas pela categoria? Compartilhe sua análise nos comentários abaixo.

Fonte: motonline.com.br