Kawasaki KX250 custom: Motorização e Desempenho
A Kawasaki KX250 de 1999, originalmente equipada com um motor dois tempos refrigerado a água de 55 cv, foi revitalizada por Giovanni Mariani da GM Motorcycles para competir no festival Wheels & Waves em Biarritz. O bloco permanece fiel ao projeto original, mas a recondicionamento do motor incluiu a troca do embreagem desgastada e a afinação da carburadora para melhorar a resposta de torque nas faixas de 8.000 a 10.000 rpm, típicas de corridas flat‑track.
Com o peso total da moto em torno de 115 kg (incluindo o corpo de alumínio de 6,5 kg), a relação potência‑peso chega a 0,48 cv/kg, permitindo acelerações agressivas nas retas curtas da pista. O motor mantém a característica de entrega de potência “explosiva”, exigindo controle preciso do freio traseiro para evitar derrapagens, conforme destaca Mariani:

Chassi, Ciclística e Eletrônica
O coração da transformação está no chassi superleggera: tubos de alumínio soldados em TIG formam uma estrutura tubular que substitui o quadro original, reduzindo a massa estrutural em cerca de 2 kg. Sobre essa base, Mariani instalou um sub‑frame traseiro customizado e componentes de suspensão re‑valvulados. A suspensão Showa foi encurtada 100 mm na frente e 20 mm na traseira, proporcionando um ângulo de inclinação mais agressivo e resposta imediata nas curvas.
Os pneus foram trocados por aros de 19 polegadas Excel, equipados com borracha plana da Anlas, ideal para o contato máximo em superfícies de terra batida. O guidão Ventura flat‑track oferece controle preciso, enquanto o painel digital da Kawasaki exibe rotação, velocidade e temperatura do motor, sem necessidade de iluminação adicional – a carroceria de alumínio recebe um tratamento ácido que cria uma pátina escura, eliminando a necessidade de camada de verniz.
Componentes de destaque
- Estrutura tubular de alumínio 2,5 mm soldada por TIG
- Tratamento ácido com pátina escura, sem clear coat
- Suspensão Showa re‑valvada e encurtada (‑100 mm frente, ‑20 mm traseira)
- Aros Excel 19″ com borracha plana Anlas
- Escapamento FMF Gold Series completo
- Guarda‑marcha e protetores de radiador em alumínio usinado
O conjunto de freios foi mantido, mas com pastilhas de alta performance para suportar o uso intenso em pista curta. O sistema elétrico recebeu um módulo de ignição digital, garantindo faíscas mais consistentes e reduzindo o risco de falhas durante as corridas.
Kawasaki KX250 custom: Comparativo com o Mercado Brasileiro e Rivais
No Brasil, a categoria de duas tempos quase desapareceu das ruas, mas ainda há nichos de competição onde modelos como a Honda CRF250R e a Yamaha YZ250 dominam. Em termos de preço, a KX250 original pode ser encontrada usada por cerca de R$ 12.000. O custo estimado da customização de Mariani, incluindo estrutura de alumínio, suspensão re‑valvada e mão‑de‑obra especializada, gira em torno de R$ 45.000, posicionando‑a como um projeto premium, comparável a uma Kawasaki KX250 preparada por equipes de flat‑track nacionais, que chegam a R$ 30.000‑35.000.
Enquanto a CRF250R oferece 45 cv e um chassi de alumínio de fábrica, a KX250 custom supera em potência (55 cv) e tem um peso ainda menor graças à carroceria superleggera. No entanto, a manutenção de um motor dois tempos exige conhecimento técnico específico, algo que a maioria dos mecânicos brasileiros não possui. A proposta de Mariani, portanto, atrai entusiastas que buscam exclusividade e desempenho extremo, mais próximo do que se vê em competições europeias de flat‑track.
Para quem deseja uma alternativa mais acessível, a Honda CB750 Hornet 2027 oferece um motor de quatro tempos com 110 cv, porém com peso maior e custo de manutenção mais baixo, representando um caminho diferente para quem busca velocidade nas ruas brasileiras.
Veredito e Conclusão
O Superleggera Slider demonstra que a criatividade e a engenharia podem transformar uma moto de 20 anos em uma máquina de competição de alto nível. A combinação de alumínio leve, suspensão agressiva e atenção ao detalhe estético cria um visual que se destaca tanto na pista quanto nas fotos. Ainda que o preço seja elevado, o projeto abre caminho para novos projetos custom no cenário brasileiro, incentivando a troca de conhecimento entre construtores globais.
E você, leitor, já pensou em levar uma duas tempos customizada para as pistas brasileiras? Compartilhe sua opinião nos comentários.
Fonte: bikeexif.com

Programador de profissão, mecânico por curiosidade. Graffo sempre gostou de trilhas e das famosas DT 180. De BMW desde 2024, descobriu do pior jeito que não existe nada mais caro que uma BMW barata. Está sempre procurando uma estrada de interior para rodar e um lugar novo para conhecer.