A American Motorcyclist Association (AMA) e a Backcountry Discovery Routes (BDR), duas das mais influentes organizações de motociclismo nos Estados Unidos, anunciaram uma parceria estratégica para fortalecer a proteção e o acesso a trilhas de uso local para motociclistas de aventura. O acordo, formalizado por um Memorando de Entendimento (MOU), visa unificar esforços em zeladoria de trilhas e iniciativas de advocacy. Contudo, a aliança, embora louvável em seu propósito local, reacende um debate fervoroso na comunidade off-road: o aparente silêncio dessas poderosas entidades em relação às crescentes ameaças às terras públicas em nível nacional.
O Mandato e o Impacto da AMA e BDR na Advocacia
A AMA, com uma trajetória de décadas na defesa dos direitos dos motociclistas, e a BDR, conhecida por mapear e promover rotas épicas para motocicletas de aventura, são pilares do motociclismo norte-americano. Ambas têm o mandato claro de garantir que entusiastas de duas rodas tenham acesso contínuo a estradas e trilhas, protegendo o esporte e o estilo de vida. A AMA atua em frentes diversas, da legislação à promoção de eventos, enquanto a BDR foca na criação e manutenção de rotas de longa distância, educando pilotos sobre a ética off-road e a conservação. Seu impacto é notável na esfera local, onde mobilizam voluntários e influenciam políticas para a abertura e manutenção de trilhas específicas, com um histórico robusto de resultados tangíveis.
Estratégias e Alcance da Nova Parceria AMA BDR
A estrutura desta parceria de advocacy entre AMA e BDR foi concebida para potencializar as forças de cada organização. O MOU estipula que a AMA apoiará campanhas de proteção e promoção das rotas BDR por seus canais de comunicação, incentivando membros a participar de esforços voluntários e zeladoria de trilhas. Em contrapartida, a BDR promoverá o trabalho de advocacy da AMA, convidará a AMA para seus eventos de lançamento de rotas e filmes, e encorajará ativamente seus pilotos a se associarem à AMA para apoiar os direitos dos motociclistas. Essa simbiose busca maior capilaridade nas comunidades, onde a ação direta e o engajamento de base são cruciais para a manutenção do acesso. Assim como a eletrônica no motociclismo de competição exige estratégias sofisticadas, a “tecnologia” aqui reside na capacidade de mobilização e na comunicação coordenada de ambas as partes, utilizando redes sociais, eventos e um corpo robusto de voluntários para atingir os objetivos comuns.

A Relevância da AMA BDR Parceria para o Cenário Brasileiro e a Advocacia em Trilhas
Embora a AMA BDR parceria se debruce sobre os desafios do território norte-americano, a discussão sobre a proteção e o acesso a trilhas de uso público tem profunda ressonância no Brasil. Nosso país, com sua vasta extensão e rica biodiversidade, possui um potencial imenso para o mototurismo off-road, enduro e rally. No entanto, a organização e a advocacia por parte dos motociclistas ainda enfrentam desafios significativos. Diferentemente dos EUA, onde entidades como a AMA e a BDR têm décadas de atuação e influência, o Brasil apresenta um cenário mais fragmentado, com clubes e associações locais que nem sempre conseguem exercer a mesma pressão em políticas públicas ou em questões de terras em nível nacional.
A crescente popularidade de motocicletas como as bigtrails no mercado brasileiro demanda infraestrutura adequada e, crucialmente, rotas legais e bem-mantidas. Modelos de aventura da Honda, Yamaha e BMW, por exemplo, são cada vez mais comuns, e seus proprietários buscam locais seguros para explorar com responsabilidade. O debate sobre terras públicas no Brasil, com suas particularidades ambientais e legislativas, também é vital. Equilibrar o uso recreativo com a conservação ambiental é uma pauta constante, e a ausência de uma voz unificada e forte, como a que a AMA e a BDR representam nos EUA, pode resultar na perda de oportunidades e no aumento das restrições para os praticantes do off-road.
Veredito Final e o Caminho Adiante para a Advocacia de Trilhas
A AMA BDR parceria é um passo positivo para a proteção de trilhas locais e a união de esforços comunitários, reconhecendo a importância do trabalho de base e da mobilização voluntária. Contudo, a crítica central do autor original, sobre o silêncio em questões de terras públicas nacionais, permanece pertinente e, talvez, ainda mais urgente. Grandes organizações, com sua capacidade de mobilização e influência, têm a responsabilidade de se posicionar firmemente em todas as frentes que afetam seus membros, do local ao federal.
A omissão em debates cruciais sobre o futuro das terras públicas pode minar a credibilidade e o impacto de vitórias menores. Para que o legado do motociclismo off-road e de aventura seja preservado para as futuras gerações, é necessário um engajamento total e sem ressalvas. Essa é uma luta contínua que exige visão de longo prazo e compromisso inabalável com o bem comum da comunidade e do meio ambiente.
E você, motociclista, qual sua opinião sobre o papel das grandes organizações na defesa dos direitos e do acesso às trilhas? Acredita que a AMA e a BDR deveriam ser mais proativas em questões nacionais? Deixe seu comentário e participe do debate!
Fonte: rideapart.com

Programador de profissão, mecânico por curiosidade. Graffo sempre gostou de trilhas e das famosas DT 180. De BMW desde 2024, descobriu do pior jeito que não existe nada mais caro que uma BMW barata. Está sempre procurando uma estrada de interior para rodar e um lugar novo para conhecer.