Segurança roupa de moto tem sido tema de debate após o programa independente MotoCAP apontar uma tendência de redução na proteção de jaquetas, calças e luvas certificadas segundo a norma EN 17092.

O programa, criado em 2018 pela Australian Motorcycle News, já avaliou cerca de 1.100 produtos e constatou que, ano após ano, o nível de resistência à abrasão e ao impacto tem diminuído, apesar de os preços permanecerem estáveis.

Teste de resistência ao atrito de jaqueta de moto realizada pelo programa MotoCAP, mostrando redução de desempenho ao longo dos anos
Teste de resistência ao atrito realizado pelo MotoCAP revela queda na proteção de jaquetas. (Foto: Reprodução / Rideapart)

Segurança roupa de moto: Tendência de queda nas certificações

Segundo o cientista-chefe Chris Hurren, a norma EN 17092 estabelece requisitos relativamente baixos, permitindo que fabricantes reduzam camadas de proteção para economizar custos de produção. Em alguns casos, jeans de moto de camada única apresentaram resistência semelhante a um denim comum, e peças que antes duravam 3,7 segundos no teste de abrasão passaram a aguentar apenas 1,2 segundo.

Impacto no consumidor

Embora a certificação CE ainda seja exibida nas etiquetas, ela garante apenas que o produto atinge o limite mínimo exigido. O que falta é transparência sobre o quão acima desse limite cada peça está. MotoCAP propõe, então, que os motociclistas considerem avaliações independentes como referência adicional ao escolher equipamento.

  • Redução média de 30% na resistência ao atrito em jaquetas testadas nos últimos cinco anos.
  • Alguns calças de camada única equivalentes a denim comum em testes de abrasão.
  • Preços de mercado permanecem inalterados, apesar da diminuição de proteção.
  • Recomendação de pelo menos duas estrelas para uso urbano e três ou mais para rodovias.
  • Marcas menores têm ganhado destaque ao superar os padrões mínimos em avaliações independentes.

Segurança roupa de moto: Comparativo com o mercado brasileiro

No Brasil, a maioria dos motociclistas confia em marcas consolidadas como Honda, Yamaha e Dainese. Contudo, a falta de um programa similar ao MotoCAP pode dificultar a identificação de peças que realmente oferecem proteção superior ao mínimo exigido. Enquanto no mercado australiano há um crescimento de consumidores atentos às avaliações independentes, no Brasil ainda prevalece a confiança nas certificações oficiais.

É importante notar que, embora a norma EN 17092 seja adotada por fabricantes globais, no país ainda predominam certificações locais e a rotulagem CE. Sem um órgão regulador que exija testes adicionais, a tendência de redução de proteção pode continuar sem ser percebida pelos usuários.

Para quem busca referências, o teste realizado pelo MotoCAP pode servir de inspiração para a criação de um programa nacional de avaliação. Enquanto isso, os consumidores devem comparar avaliações de diferentes marcas, considerar o histórico de melhorias – como observado em algumas marcas que têm evoluído positivamente – e, se possível, consultar avaliações independentes antes da compra.

Confira também a análise da Ducati Desmo450 SM, que destaca a importância da proteção avançada em equipamentos de alta performance.

Para aprofundar o assunto, visite a página da Dainese e explore a categoria Equipamentos e Segurança para mais avaliações e comparativos.

Em última análise, a etiqueta CE continua sendo um ponto de partida, mas a escolha de roupa de moto deve ser baseada em dados concretos de desempenho, garantindo que a proteção oferecida vá além do mínimo exigido.

Fonte: rideapart.com